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Arte e feminismo negro

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A influência no trabalho de Massogona Sylla passa por importantes nomes da colagem de várias épocas, desde Pablo Picasso a David LaChapelle, passando por Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat e Jean-Paul Goude. Nas peças da artista, a técnica – de incorporar ilimitadas e variáveis materialidades nas obras de arte – difundida por nomes consagrados encontra a sensibilidade e a força de feministas negras como Angela Davis, cujas vozes ganham cada vez mais força na atualidade. Assim, a arte feita por Sylla nos sensibiliza duplamente, pela estética e pelo discurso.

O trabalho da artista desafia o olhar sobre o lugar das mulheres na sociedade e sua representação na mídia. Tal agudeza e singularidade Sylla credita à própria trajetória. “De fato meu trabalho é repleto de mensagens. Sou feminista e me envolvo na causa. As atrocidades cometidas contra as mulheres no mundo é algo que me choca. Sou contra essa violência e o meu trabalho é falar a respeito. Minha arte é também uma homenagem à minha mãe que eu perdi cedo, é um tributo a todas as mulheres”, explica em uma das entrevistas disponíveis em seu site de trabalho.

Nascida na França, Massogona Sylla viveu até os 18 anos na Costa do Marfim. De volta à cidade natal, Paris, se interessou por fotografia, começou a fazer aulas e foi assim que descobriu a colagem. A poesia visual de Sylla dá-se por meio do casamento entre cores, formas e texturas que, nos trabalhos, são deslocadas para distante do cliché embora claramente relacionem-se com nossos cotidianos. “Minha história com a colagem é uma história de paixão. Eu amo a colagem porque eu jogo com os materiais, corto, transformo, colo, repinto sobre, adiciono… Tenho uma feira de opções na minha cabeça! Muitas vezes eu digo a mim mesma: eu não estou sozinha, sou como Alice no País das Maravilhas (risos)”, brinca.

Ana Paula Vitorio

Source : conceitosite